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Nome:Adriano Skoda, Idade:21 anos, Na Vida:Amo meus Amigos, minha Família, a Música, o Cinema e o Mundo, No Discman:Ben Harper, Dave Matthews Band, Donavon Frankenreiter, Bob Dylan, Jorge Ben, Incubus, RHCP, RATM, Chico Buarque, Björk, The Animals, Led Zeppelin, The Doors, Frank Zappa, Ludwin Van Beethoven, Jack Johnson, The Beatles, Los Hermanos, Alice in Chains, Pearl Jam, Days of the New, Bush, OAR, Placebo, Radiohead, Mundo Livre S/A.
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[Sábado, Março 08, 2008]
"eu só estava pensando nos desenganados sem remédio, nos que gritam de ardência, sede e solidão, nos que não são supérfluos nos seus gemidos; era só neles que eu pensava."
André - Lavoura Arcaica
E foi com um grito de desespero abafado que ele me chamou. Sentado no banco do ponto de ônibus, contorsendo-se de dor, pedindo por ajuda. Meu primeiro impulso foi de lhe oferecer dinheiro, como se isso fosse passar a sua dor. Ele recusou o dinheiro prontamente, ele não queria dinheiro, queria cuidado, precisava de cuidado, precisava de ajuda. Gemia de dor por sentir seu ombro machucado. A gravidade do machucado não sabia, sabia apenas que doia muito mais do que podia suportar em uma caminhada. Assim, para apaziguar a dor permanecia imóvel, procurando por ajuda.
por ADRIANO SKODA * 10:32 PM
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[Sábado, Março 01, 2008]
da certezas e incertezas queria poder te contar todas. Todas mesmo, sem medo, sem receio. Queria poder te contar todas as 10 mil coisas do mundo, sem receio de que você ouvisse essas palavras e achasse que em qualquer uma delas eu estaria deixando de te amar. Mas nem sempre assim pode ser. Me calo, pois sei que uma palavra mal dita pode te fazer sofrer! E como ficamos então? Fica o dito pelo não dito? Seria melhor que não...seria melhor começar bem baixinho contando para você os meus desejos e minhas paixões, para que....
por ADRIANO SKODA * 2:40 PM
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E do que é feito o amor?
de pequenos momentos?
de grandes certezas?
de pureza?
Do que é feito o amor?
de vontade de beijar?
de apertos no peito?
de encantamento?
Mas já dizia Cazuza,
eu não sei amar.
Sou como uma criança
começando a engatinhar
E se meus olhos se enchem de lágrimas enquanto escrevo estas palavras tortas
é porque em "ti eu consigo encontrar um caminho um motivo um lugar,
pra poder repousar meu amor!"
por ADRIANO SKODA * 2:37 PM
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[Terça-feira, Janeiro 15, 2008]
POR QUE OS ANARQUISTAS NÃO VOTAM
Por Elisee Reclus
Tudo o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:
Votar significa abrir mão do próprio poder.
Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.
Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos "acima" de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.
Votar é uma idiotice.
É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.
Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.
O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.
Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.
Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.
Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.
Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.
Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!
A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.
Por isso, não abandone sua liberdade.
Não vote!
Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.
Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.
Não vote!
por ADRIANO SKODA * 12:33 AM
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[Segunda-feira, Janeiro 07, 2008]
Escrever sobre a volta que eu dei de bicicleta desta manhã, este era o objetivo do texto. Desde que eu voltei do passeio de bicicleta eu já tinha em mente que escreveria um texto sobre a maravilha que é andar por ai, sem ter um motivo, um lugar ou alguém te esperando. Estava pronto para falar de como é bom se permitir andar, se permitir perder e a possibilidade de poder se encontrar. Ouso dizer que ia dialogar com Thoreau, na construção deste texto, mais especificamente com seu texto Andar à pé, mas subitamente as coisas mudaram. Esta sensação boa se perdeu, e no lugar dela tomou conta de mim uma sensação de angústia. Estou certo de que a satisfação e a angústia caminham junto, dentro de mim. Assim, quando uma toma conta, a outra já se põe em prontidão. E assim, hoje de tarde, um vazio consumiu o meu peito.
Ouso dizer que de manhã encontrei a plenitude que é estar vivo, e de tarde vi a mediocridade que se é viver.
Angustiei-me por não saber o que fazer, não ter objetivos claros, ações planejadas...é tudo incerto. Você pode dizer que devo ter obrigações ainda por cumprir, e certamente as tenho. Ainda faltam trabalhos por concluir para a faculdade, mas de que adianta concluí-los? Para ter uma nota para que eu possa me formar. Sim, de fato este é o objetivo, e não me venham dizer que o objetivo é o conhecimento. Para buscar o conhecimento eu não preciso de trabalhos, provas e testes.
Assim, novamente adiei o termino destes. Decidi assistir a um filme que a muito já estava comigo. Assisti ao filme de Gaspar Noé, chamado Só Contra Todos. Atordoante filme que só aumentou minha angústia. Atordoante como não poderia deixar de ser um filme de Gaspar Noé, contando a história de um açougueiro que vive uma vida medíocre na periferia de Paris. A miséria humana estampada de uma maneira tão crua que só poderia machucar ainda mais este peito ferido.
Entre o final do filme e o início da escrita deste texto outros fatos se somaram, mais uma briga inútil e sem propósito de meus pais, desta vez discutindo que eles estavam fazendo barulho, na verdade era minha mãe reclamando que meu pai fazia muito barulho e usando o contra argumento de que ela não fazia. O outro fato foi a morte de um tio distante. Estranha sensação de me sentir incomodado não com a morte dele em si, pois não sei ao certo se o conheci, mas com a idéia da morte e da vida. De como a vida em si não tem sentido algum, vive-se e é só. O que faz a diferença acho que é a forma com que se encara a vida, a moral que a conduz.
Assim, despeço-me dizendo que estar vivo não é o suficiente, deve sempre haver algo mais, talvez sempre haja algo mais, menos nos momentos de angústia. É nesses momentos que tudo falta e nada satisfaz!
por ADRIANO SKODA * 8:49 PM
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[Domingo, Janeiro 06, 2008]
Começou 2008, a princípio nada de mais, afinal já fazem 22 anos que experiêncio isto. Contudo este ano começou com algumas particularidades. A primeira e provavelmente a maior das novidades tem um nome e um sobrenome, ela se chama Mariana Kobata. Eu poderia me estender aqui e falar de todas as coisas pelas quais eu me apaixono por ela. Mas guardo estas preciosas informações para a intimidade, seja falando dela para ela, ou seja falando dela para os outros - leia-se que os outros não são quaisquer outros, são outros íntimos, tão íntimos que atendem por amigos e parentes.
Esta bela menina/mulher dei sorte de conhecer em um lugar que é muito do meu agrado, a conheci em uma das manhãs ensolaradas na USP, no grupo de estudo dos autores anarquistas. Foi a partir deste grupo também que se intensificou outro amor que trago comigo nesta entrada de ano, o amor pela ANARQUIA. Anarquia esta que me mostra o lado bom e bonito da vida, que aponta as injustiças e que sempre busca o melhor, para todos! Anarquia que me ensina a pensar em mim e no outro e que não me permite mais pensar em uma Geografia se não uma Geografia Libertária e é com este pensamento que pretendo encarar este próximo ano letivo de Universidade, estudando e propondo esta Geografia Libertária, que teve seu início nos estimados Kropotkin e Reclus, que foi marginalizada e que agora encontra novamente espaço para existir. Atrelado a este movimento estão surgindo pessoas e movimentos em minha vida que me deixam cada vez mais esperançoso e eufórico frente as possibilidades deste novo ano.
Assim, encerro este breve texto esperando muito AMOR e ANARQUIA para 2008!
por ADRIANO SKODA * 11:23 PM
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[Sexta-feira, Janeiro 04, 2008]
livros de 2007
*Geopolítica da Fome (Volumes I e II) - Josué de Castro
*Autobiografia Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade - Mohandas Gandhi
*Desobedecendo - Henry Thoreau
*Duas Narrativas Fantasticas - Fiordor Dostoievski
*Do Amor e Outros Demônios - Gabriel Garcia Marquez
*Seleção de Textos - Priot Kropotkin
*As idéias de Gandhi - George Woodcock
*Sobre o Modo Capitalista de Produção e Agricultura - Ariovaldo Oliveira
*Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias - Tim Burton
por ADRIANO SKODA * 7:29 PM
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[Segunda-feira, Novembro 26, 2007]
26/11/2007 - 02h30
Para educador, escola formal não serve para educar
UIRÁ MACHADO
Coordenador de Artigos e Eventos da Folha de S.Paulo
"A Escola formal não está só na forma. Está dentro da fôrma. O pior é quando está no formol. É um cadáver." É assim que o educador mineiro Tião Rocha, 59, vê o ensino convencional, de cujos métodos e conteúdos se afastou há mais de 20 anos para experimentar processos alternativos de educação.
À frente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento desde 1984, Rocha sempre persegue "maneiras diferentes e inovadoras" de educar, alfabetizar, gerar renda. Ele distingue educação de escolarização e busca um sonho: escolas que sejam tão boas que professores e alunos queiram freqüentá-las aos sábados, domingos e feriados. "Se ninguém fez, é possível", diz.
Folha - Toda a sua história como educador é feita do lado de fora das escolas convencionais. Qual é o seu problema com a escola formal?
Tião Rocha - Se eu tivesse um analista, isso seria um prato cheio para ele. Comecei a ter problemas com a escola desde que entrei, aos sete anos.
Logo no primeiro dia de aula, no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, Belo Horizonte, a professora Maria Luiz Travassos nos levou para a sala de leitura, pegou um livro, "As Mais Belas Histórias", da dona Lúcia [Monteiro] Casasanta, e começou a ler: "Era uma vez um lugar muito distante, onde havia um rei e uma rainha (...)".
Eu levantei a mão e falei: "Professora, eu tenho uma tia que é rainha". Ela desconversou, pediu para eu ficar quieto. Ela prosseguiu a história. Depois que a interrompi duas ou três vezes, ela me mandou calar a boca e ir falar com a diretora, dona Ondina Aparecida Nobre.
Ela me deu um tranco, perguntou se eu queria ser expulso. A partir daí, eu sempre inventava coisa para matar a aula. Nunca tive uma escola boa. Nunca tive prazer na escola, mas sempre quis aprender.
Quando fui para a faculdade, estudei história e antropologia, fui resgatar a história da minha tia, que era rainha do congado.
Para pagar os estudos, eu precisava trabalhar. Fui dar aula e me dei conta de que, se eu achava aquilo chato, meus alunos também, porque eu era um reprodutor da mesma chatice.
Folha - E você conseguiu mudar?
Rocha - Não. Criava jeitos diferentes de trabalhar com os alunos, inovava, mas, no fim, era uma experiência muito reformista. Ela começou a ser transformadora quando aconteceu o fato com o Álvaro, minha primeira grande perda [o garoto, excelente aluno, se suicidou].
Aí eu falei: "Opa! Não adianta querer que os meninos aprendam história se eu não consigo aprender a história da vida deles". Então comecei a deixar de lado não só a forma mas também o conteúdo.
Por exemplo, pedia aos alunos para pesquisarem em casa: sobre cantiga de ninar, expressões populares, jogos etc. Um pai chegou para mim e disse: "Vim te agradecer, porque eu tinha um problema de relacionamento com meu filho, mas agora ele apareceu querendo saber sobre as brincadeiras de quando eu era criança e começamos a conversar, a brincar".
Eu nem sabia que aquele negócio estava ajudando a aproximar pais e filhos. Aí eu fui me libertando dos conteúdos cheirando a mofo e comecei a ver que estava partindo para uma outra coisa. Esse processo foi evoluindo na reflexão sobre o que é deixar de ser professor e virar educador. O professor ensina, o educador aprende.
Folha - E então o sr. começou seus projetos fora da escola, debaixo do pé de manga. Mas o sr. acha que a escola formal serve para alguma coisa?
Rocha - Ela serve para escolarizar. Ela dá um determinado tipo de informação e de conhecimento que atende um determinado tipo de demanda, um determinado tipo de modelo mental de uma sociedade que aceita, convive e não questiona.
Folha - Essa escola educa?
Rocha - Não. Ela escolariza. Uma coisa é falar em educação, outra é falar em escolarização. A maioria das pessoas que estão cometendo grandes crimes são pessoas escolarizadas. Então, que escola é essa? Para que ela serviu? Não ajudou nada, mas escolarizou.
E essa escola continua sendo branca, cristã, elitista, excludente, seletiva, conformada. Ela seleciona conteúdos, seleciona pessoas, mas não educa.
Folha - O que significa a escola ser branca?
Rocha - Por exemplo, eu nunca tive aula sobre os reis do Congo, mas tinha aula sobre todos os Bourbons, reis europeus.
Folha - E conformada?
Rocha - A escola não permite inovação. Ela é reprodutora da mesmice. A escola formal não está só na forma. Ela está dentro da fôrma. O pior é quando ela está dentro do formol. É um cadáver. O conteúdo da escola está pronto e acabado. Os meninos que vão entrar na escola no ano que vem, independentemente de quem sejam, aprenderão as mesmas coisas, do mesmo jeito. Aprendem o que alguém determinou que tem que ser aprendido.
Folha - O que está errado com o conteúdo?
Rocha - Recentemente, uma menina de nove anos, lá em Curvelo, virou para mim e disse: "Tião, vou ter prova e esqueci o que é hectômetro". Eu disse a ela que ninguém precisa saber o que é isso, que não se preocupasse, isso não cairia na prova. Perguntei se ela sabia o que era centímetro, metro, quilômetro. Ela sabia. "Pronto, tá bom demais, você vai viver a vida inteira mais 15 dias e não vai acontecer nada", disse para ela.
Passados uns dias: "Me ferrei. Caiu na prova e eu não sabia". Peraí: criança de nove anos tem que saber isso?
Isso é conhecimento morto. Mas se eu pergunto se eu posso ensinar outra coisa, não posso. O que posso é ensinar as mesmas coisas de um forma diferente. No conteúdo não pode mexer. O vestibular cobra. É um processo seletivo que vai determinando e excluindo, afunilando, dizendo que, para entrar aqui, precisa pensar desse jeito, nessa lógica. Do ponto de vista da escolarização, tá indo muito bem. Agora, se tá educando ou não, ninguém discute.
Quando uma criança é entrevistada e diz que é de determinado projeto porque quer ser alguém na vida, já sei que ela foi pessimamente educada. Um menino que aos 12 anos acha que não é ninguém na vida não tem mais auto-estima. Ele não é ele. Ela vai ser. É sempre um projeto adiado para o futuro.
Folha - Como deveria ser a educação?
Rocha - Um projeto de vida, não de formação para o mercado. A lógica da vida não é ter um emprego. Será que é possível construir um processo de uma escola que incorpore valores dignos, que passe a perceber que a ciência precisa estar condicionada a esses valores, que a tecnologia precisa estar condicionada a esses valores, que elas não podem ser determinantes dos valores humanos?
Ter analfabetos não pode ser um problema econômico, é um problema ético. A experiência que a gente vem desenvolvendo no CPCD é saber se é possível fazer educação de qualidade. Claro que é. Só que você tem que botar uma pergunta que a gente sempre faz. É o MDI: "de quantas maneiras diferentes e inovadoras eu posso"... O resto você completa com uma ação: educar, alfabetizar, diminuir a violência, gerar mais renda.
Quando a gente começa a fazer isso, aparecem 70 sugestões para alfabetizar, por exemplo. Vamos tentando uma por uma. Funcionou? Não? Risca. E vamos para a próxima. Quando chega na última, já tem mais tantas outras. Você não esgota o seu potencial de soluções para as crianças aprenderem.
Folha - Até onde vale criar soluções?
Rocha - Na educação, qual é a melhor pedagogia? É aquela que leva as pessoas a aprender. Na escolarização, a melhor pedagogia é aquela que dá mais sentido para quem a aplica.
O CPCD foi secretário da Educação de Araçuaí. Lá tinha um problema: os meninos demoravam duas horas no ônibus. O que a gente fez? Colocou educadores no ônibus. Qualquer secretaria de Educação pode fazer. É só sair da caixa.
Uma outra questão é o acesso aos livros. Há muitos anos, acompanhei a trajetória de dez crianças em Ouro Preto num período de seis, sete anos.
Como eu sei se um aluno é da primeira, da segunda, da terceira série? É pelo tamanho da pasta. No primeiro ano, traz até uma mala. Leva tudo. Depois, vai deixando. No ginásio [quinta a oitava série], eles não levam quase mais nada. No colegial, às vezes leva só uma canetinha.
Eu me perguntei se os livros perderam o encantamento ou se foi a escola que não soube mantê-los encantados. Juntei um monte de livros em baixo da árvore e mandava a meninada ir lendo. Em volta, deixava montinhos de sucata e escrevia uma placa: música, teatro, artes plásticas, literatura. Tudo que o menino lesse, tinha que ir numa direção e fazer música, teatrinho etc. É um jogo. Ler e transformar, do seu jeito.
Eles ficavam lá a tarde inteira. Vinha gente de longe. Agora, por que será que esses meninos nunca tinham entrado numa biblioteca da escola? Porque ele não tinha prazer em entrar na biblioteca. Quando ia ler um livro, tinha que dissecar a obra, classificar o texto, responder a dez perguntas sobre aquele negócio. Em baixo da árvore, ele não tinha que responder a pergunta nenhuma. Era prazer, e não dever. Os livros não perderam o encantamento, portanto.
Eu nunca li e detesto Machado de Assis. Por quê? Porque tive que fazer anatomia do livro. Achava um saco. Até hoje não consegui romper com isso.
Folha - Como enfrentar a falta de leitura?
Rocha - Faz chover livro na cabeça dos meninos. De todo jeito. Bornal de livros, algibeira de leitura, folia do livro, banco de livros, livro no ponto de ônibus. É igual propaganda. Como você quer que o cara não tome Coca-Cola? Vamos botar esse apelo para o livro. A gente foi tirando os meninos do estado de UTI. Vale tudo. É ético? É. Então, vale. Se nunca foi feito, a gente faz. Se errar, não tem problema. Temos que aprender.
Folha - Como você mexe no conteúdo? Tem um conteúdo básico?
Rocha - Claro. Tem que ter alguma coisa para começar. Precisa aprender os códigos de leitura, a a raciocinar e fazer cálculo, as quatro operações básicas. Mas não precisa saber o que é hectômetro.
Folha - Como diversificar? Ou por que diversificar?
Rocha - Há uns 20 anos, eu trabalhava bem no sertão. Tinha um projeto do governo para combater a doença de chagas na região. Parecia muito bom, as casas de adobe seriam substituídas por casas de cimento com condições de pagamento bem favoráveis. Mas não houve adesão dos moradores.
O que os engenheiros não percebiam é que as casas pareciam um forno de tão quente. O pessoal do projeto dizia: "É uma questão de adaptação". Eu respondia: "Não começa, não. A casa de adobe resolve muito bem a questão térmica. Por que não fazem casa de qualidade com adobe naquele sertão?". Eles disseram que não sabiam fazer, que não aprendiam isso na faculdade de engenharia.
Fiquei imaginando: eles não foram formados para fazer casas dignas para a população. Querem fazer em São Paulo e no sertão uma casa do mesmo tipo. Que lógica é essa? É a lógica do modelão.
Hoje, entrou na moda fazer casa de adobe, é ecológico. Engraçado. Antes, as pessoas faziam casa assim. Aí vieram, cortaram a tradição, impuseram o modelão e, agora, querem voltar ao que se fazia antes, mas travestido de conversa nova.
Folha - Você é contra todo tipo de forma universalizante?
Rocha - Como padrão único, claro.
Folha - Você é a favor de uma transformação constante?
Rocha - Da diversidade permanente.
Folha - De uma pedagogia específica para cada pessoa?
Rocha - Não. O que não pode é aprender uma única coisa, todo mundo igual. Mas não é "cada um faz o que quer". O que não pode é dar pesos desiguais, ou seja, negar ou excluir coisas em função de critérios que são absolutamente ideológicos.
É possível criar uma sociedade polivalente, diversificada? É, porque não foi feito ainda. Se ninguém fez, é possível. Isso é o que eu chamo de utopia. Utopia para mim não é um sonho impossível. É um não-feito-ainda, algo que nunca ninguém fez.
É possível aprender brincando? A escola tem que ser o serviço militar obrigatório aos sete anos ou pode ser prazerosa? Aí eu coloco um indicador: a escola ideal deve ser tão boa que professores e alunos desejem aulas aos sábados, domingos e feriados. Hoje, temos exatamente o contrário.
Os meninos estão no século 21 e a escola está Idade Média. A escola é a única instituição contemporânea que tem servos, tem serventes, pessoas que estão lá para nos servir. Nem em banco tem isso, lá são "auxiliares de serviços gerais".
Quando eu trabalhava na Universidade Federal de Outro Preto, por acaso eu virei pró-reitor. Acabei indo a uma reunião de pró-reitores com o secretário da Educação. Aquele discurso enfadonho estava me enchendo o saco, até que eu disse: "Nesse país, uma escola nunca teve crise de aprendizagem: a escola de samba.
Uma assessora do secretário disse que aquilo era inadmissível e perguntou se eu achava que a escola pública tinha que ser "aquela bagunça". Eu respondi: "Tô vendo que a sra. não entende nada de escola de samba. Na escola tem disciplinador, não tem? Pois na escola de samba tem diretor de harmonia". Entende? Uma coisa é cuidar da disciplina, outra coisa é cuidar da harmonia.
Folha - Como nasce uma nova forma de ensinar?
Rocha - Ou da dificuldade ou da pergunta. Somos movidos por uma pergunta, que vira um desafio, que vira uma encrenca. É possível educar debaixo do pé de manga? É possível criar agentes comunitários de educação? Vamos ficar pensando ou vamos aprender fazendo? Vamos aprender fazendo.
A primeira coisa que a gente fez foram os "Não Objetivos Educacionais". Porque formular um objetivo é muito simples: basta colocar um verbo na forma infinitiva e depois encher de lingüiça. O nosso verbo é o "paulofreirar", que só se conjuga no presente do indicativo: eu "paulofreiro", tu "paulofreiras" e por aí vai. Não existe "paulofreiraria", "paulofreirarei". Ou faz agora ou sai da moita. Ação e reflexão, agora.
As respostas vão sendo testadas e viram novas metodologias, pedagogias. Assim surgiu a pedagogia da roda, por exemplo, como um jeito de combater a evasão dos meninos. Não podemos perder os alunos, precisamos mantê-los interessados.
Folha - Seus métodos são tão abertos a ponto de aceitar que uma criança queira aprender na escola formal? Ou você quer acabar com a escola?
Rocha - Eu não quero acabar com a escola. Ela é muito mais importante do que parece. Ela tá longe de esgotar seu repertório, não usou nem 10% das possibilidades. Mas, para isso, ela precisa ter a ousadia de experimentar. É uma lástima dar às crianças só o que a escola formal oferece. É muito pouco.
As pessoas querem tirar os meninos da rua e levar para a escola --só se for para prender, porque para aprender não serve. É muito chato. Por que, em vez de tirar da rua, não mudamos a rua? Lugar de criança é na escola, na rua, em todos os espaços. Todos os espaços podem ser de aprendizado. Há experiências de cidades educativas muito legais.
Folha - Como é sua relação com os governos?
Rocha - Eu não vejo muita diferença. Todos eles estão dentro da mesma caixa, só muda a cor. A escola que tem agora não é muito diferente da de oito anos ou 20 anos atrás. Vai só pintando a fachada. A lógica, o processo, a metodologia muda muito pouco, no geral. A gente não consegue estabelecer alianças com os governos porque incomoda pensar fora da caixa. Se incomoda, são refratários. Então a gente vem aprendendo a fazer política pública não-governamental.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u348104.shtml
por ADRIANO SKODA * 10:23 AM
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[Segunda-feira, Outubro 29, 2007]
Vaticano beatifica 498 "mártires" da Guerra Civil espanhola
CIDADE DO VATICANO - Neste domingo no palco da Praça São Pedro aconteceu uma das mais patéticas ações promovidas pelo Vaticano nestes últimos anos: a beatificação de 498 espanhóis considerados mártires das "perseguições religiosas" durante a Guerra Civil espanhola (1936-1939). Essa foi a maior beatificação coletiva da história da Igreja. Após a cerimônia, o Papa Bento XVI disse que "com seus gestos de perdão em relação a seus perseguidores, (os novos beatos) nos impulsionam a trabalhar pela reconciliação e convivência pacífica". "Com seu testemunho, iluminam nosso caminho espiritual para a santidade e nos levam a entregar nossas vidas como oferenda de amor a Deus e aos irmãos" - disse funebremente o pontífice, após a cerimônia celebrada pelo cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e representante oficial do Papa. O Papa Bento XVI , assistiu a cerimônia do Palácio Apostólico e não mencionou as circunstâncias históricas nas quais os "mártires" morreram. Muitos padres e líderes da Igreja Católica se aliaram ao genral fascista Francisco Franco durante a Guerra Civil, fazendo mais de 500.000 pessoas mortas, dentre eles grande número de trabalhadores socialistas e anarquistas. Grande parte destes "mártires" eleitos pelo Vaticano foi assassinada pela própria população espanhola, organizada contra a ditadura fascista de Franco. Durante décadas, a Igreja Católica na Espanha colheu provas de que centenas de seus membros morreram durante a guerra "devido à crença que seguiam", o que os torna, na opinião dela, "elegíveis à beatificação".
Na cerimônia, o Cardeal José Saraiva Martins disse que os 498 novos beatos "derramaram seu sangue pela fé durante a "perseguição religiosa" na Espanha". Completanto essa cena asquerosa, o Cardeal afirmou que, "antes de perdoraram os que os perseguiam e resaram por eles". E, de acordo com "as estatísticas" da Igreja, os ""mártires"" dos anos da Guerra Civil Espanhola, classificados no que o Papa João Paulo II denominou como os "Mártires do Século XX", podem chegar a 10 mil. O resultado do teatro bizarro foi a beatificação de 977 destes indivíduos e a santificação de 11 deles em outras cerimônias celebradas no Vaticano, e avisou que caso católicos devotos relatem milagres decorrentes de preces direcionadas aos """mátires""" que foram beatificados neste domingo, eles podem ser colocados na lista do longo processo de santificação.
------------x--------------
Aos que almejam a justiça social e a liberdade, resta o repúdio e a denúncia desta barbaridade que o Vaticano está proclamanto!
Neste momento, os que forem religiosos cabe prestar reverências e preces e os que não forem religiosos cabe prestar as devidas homenagens à população espanhola que lutou na Guerra Civil, contra a ditadura fascista apoiada pela Igreja Católica, e aos muitos que foram assassinados nesta luta.
por ADRIANO SKODA * 3:55 PM
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[Sexta-feira, Setembro 14, 2007]
Adoráveis egoístas
esses seres humanos
tão humanos
e tão cruéis.
por ADRIANO SKODA * 10:40 AM
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[Segunda-feira, Agosto 27, 2007]
Lembrou-me dos dias em que meu primo ia-se embora para São Paulo!
O mesmo choro escorreu pelo meu rosto.
Um choro de tristeza e de uma saudade,
que chega tão enorme que faz tudo parecer tão injusto!
Afinal, que culpa tem a criança de não poder ir junto,
que culpa tem ela de amar!
Mas depois passa a dor...
a saudades fica...
Mas o mundo continua cruel!
por ADRIANO SKODA * 2:07 PM
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[Quarta-feira, Agosto 08, 2007]
Me sinto como o padre do romance de Gabriel Garcia Marquéz, ao se defrontar com o livro proibido que lhe foi retirado quando ainda era criança. Não posso dizer que já estive próximo de ver este filme, mas conheço-lhe há algum tempo, conheço fragmentos de sua história. Esta história me foi contada ainda no tempo de PUC, no primeiro ano, quando fazia prática de formação de cinema italiano. Foi numa dessas aulas que o professor falou sobre este filme de Pasolini. Sua cena fatídica em que pessoas eram obrigadas a comer seu proprio coco. Filme no qual as pessoas se levantavam das salas e iam embora por não aguentar. Filme que era impossível para mim, até o dia de ontem. Quando procurando no site makingoff.org o encontrei. Por acaso. Devo admitir. Contudo, agora que tenho a obra completa, quase pronta para ser gravada, e sinto receio. Receio este que nunca senti, afinal, é só um filme. Sinto como se estivesse frente a deus, ou ao diabo, e tivesse o poder de escolher se queria ou não vê-los. Estranha sensação que conforme o tempo passa vai se assentando. Aos poucos parece que o filme perde seu ar perturbador. Ilusão. A angustia permanece. Guardarei-a. E depois conto-lhes como foi o encontro com a besta.
Ah, o filme se chama Salò.
por ADRIANO SKODA * 7:43 PM
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[Segunda-feira, Agosto 06, 2007]
cinema de 2007
Sexto Sentido, As noites de Cabíria, Julieta dos espíritos, Bicho de 7 Cabeças, A cidade das mulheres, Ensaio de orquestra, 8 1/2, Entrevista, A doce vida, O Senhor das Armas, Um Lugar Chamado Nothing Hill, Trapaceiros, Perfume, Um Corpo que Cai, A Rosa Púrpura do Cairo, Reflexos da Amizade, Nós que nos Amávamos Tanto, Noite americana, Barton Fink, S. O. B., A Felicidade Não Se Compra, O Jogador, Muito Além do Jardim, Paixão Bandida, Os Suspeitos, A lei do desejo, Cães de Aluguel, Pecados Íntimos, Caminho para Guantanamo, A Rainha, Metropolis, Scarface, Os Últimos Passos de Um Homem, Tudo por Dinheiro, O Cão de Guarda, A Carne é Fraca, Estranha Obsessão, O Fantasma da Ópera, Os Incríveis, Cidadão Kane, Cinema Aspirinas e Urubus, Rocky Balboa, Em Segredo, Ararat, Faces, Ponto de Mutação, Terráqueos, Promessas de um Novo Mundo, O Diabo Veste Prada, O Cheiro do Ralo, Paixões em Nova York, Miami Vice, Xeque-mate, Tudo Sobre Minha Mãe, Clube da Lua, Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra, Piratas do Caribe - O Baú da Morte, Janela da Alma, Quatro Irmãos, Jogo de Espiões, Alphaville, Conduzindo Miss Daisy, Perfume de Mulher(1974), Tudo Acontece em Elizabethtown, Edison, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, No Limite das Emoções, O Virgem de 40 Anos, Wallace & Gromit, Estranhos no Paraíso, O Coronel e o Lobisomem, Coach Carter, Homem Aranha 3, Vermelho Como o Céu, No Direction Home - Bob Dylan, Pleasure + Pain - Ben Harper, Mulher à Beira de um Ataque de Nervos, A Grande Ilusão, O Mundo de Jack e Rose, Piratas do Caribe - O Fim do Mundo, Jogo do Amor, Vanilla Sky, Volver, Não Matarás, V de Vingança, X-Men, Sacco & Vanzetti, Felicidade, Três Vidas e Um Destino, Z, Cruz de Ferro, eXistenZ, X-Men II, Amores brutos, Minha Vida de Cachorro, À Margem do Concreto, Shrek 3, Frankie e Johnny, Cinema Paradiso, The Doors, Bonequinha de Luxo, Todos os Homens do Presidente, Saneamento Básico, Edifício Master, Clube da Luta, Ed Wood, Malcolm X(1972), A Conversação, 16 Quadras, Europa, Paris te Amo, Íris, Amém, São Paulo Sociedade Anônima, Noivas, Quilombo, Nove Rainhas, Dr. Fantástico, Parente...É Serpernte, Pi, O Plano Perfeito, Enfermeira Betty, O Bebe de Rosemary, Família Rodante, Waterworld, Medo e Delírio,
por ADRIANO SKODA * 9:25 PM
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[Quinta-feira, Julho 12, 2007]
Enfim Dostoievski
Passou algum tempo antes que eu pudesse ler Dostoievski. Comecei por Irmãos Karamazov, leitura densa, muitos personagens, num momento em que talvez eu não estivesse preparado para tal. O tempo passou, e quando procurava em um lado da prateleira da biblioteca um livro de Tolstoi, do outro, o russo me chamava, um chamar silencioso, que só percebi no momento em que partia. Olhei para aquela estante, repleta de livros de Dostoievski, estavam lá, livros em português, em russo, em francês, livros, muitos livros. Comecei a folhear Crime e Castigo. Por um momento achei que seria esse, de fato, o primeiro dos Dostoievski que eu leria. Contudo, um olhar um pouco mais racional para o livro me fez perceber que abarrotado de trabalhos e com muitas outras coisas para ler, este de fato não seria o momento para ler um livro com mais de 400 páginas. Passei novamente os olhos pela prateleira, e foi então que eu descobri no final da prateleira um livro curto, e com um título deveras sugestivo. Estou falando de Duas Narrativas Fantásticas - A Dócil e O Sonho de um Homem Ridículo, um livro de umas 130 páginas, com letras grandes e uma temática interessante. Este livro é considerado o último livro escrito por Dostoievski, os dois textos que ele contém são inspirados em artigos de jornal da época. Há pouco terminei de ler o primeiro texto. Poderia ter lido este em um único dia, contudo, felizmente, isto não aconteceu. Li estas 80 páginas em quase uma semana, angustiosos momentos de leitura em que eu me deparava entre o personagem principal e eu. Este fez-me refletir sobre como me relaciono com as pessoas, de como deixo muitas coisas por dizer esperando que elas por si só consigam compreender e ver o que eu vejo. As vezes por medo de parecer tolo, as vezes por medo de ficar vulnerável, e no momento em que o fim esta próximo, neste momento eu me reafirmo eu choro silenciosamente.
Um embate entre Dostoievski e eu. Um texto sensacional, escrito muito antes, muito antes, muito antes de muita coisa...Penso que de fato não sou totalmente como me descrevi acima, sou-o por algumas vezes, com algumas pessoas, em alguns momentos, mas é importante saber que o sou também. E quando me torno exposto, esse é o momento que mais me aflinge, que me causa o maior pavor, e que me traz a maior angustia. Pois me fui ao máximo e nos momentos seguintes nada me resta, fica um vazio que não pode ser preenchido, não naquele momento. Felizmente me restabeleço depois, após uma conversa onde ouço...o que podem ser consideradas palavras de reconforto. Ouço atento e o sofrimento da espaço a esperança e a uma súbita felicidade. E esta, junto com a liberdade de estar só na escuridão de uma madrugada, me permite mais do que sentir esta felicidade, me permite viver esta felicidade, em plenitude. Nos meus passos, nos meus movimentos, em minha voz, em mim.
por ADRIANO SKODA * 12:03 PM
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[Segunda-feira, Abril 09, 2007]
"O ahimsa é a base da busca da verdade. Todos os dias, percebo que a busca é vã, a menos que seja apoiada no ahimsa. É apropriado oferecer resistência e atacar um sistema, mas oferecer resistência e atacar o autor é equivalente a oferecer resistência e atacar a si próprio. Pois somos todos farinha do mesmo saco, e filhos do mesmo criador, e portanto os poderes divinos em nós são infinitos. Menosprezar um único ser humano é menosprezar aqueles poderes, e assim prejudicar não apenas aquele ser, mas também o mundo inteiro"
Mohandas Gandhi
por ADRIANO SKODA * 1:34 PM
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